A cidade dorme... Triste, fria, as ruas desertas, nuas, sombrias... Um anuncio luminoso, uma janela aberta, um banco de jardim...
O vento frio arrasta uma fôlha sêca... Um papel rodopiando... Minha alma enfim...
A bruma em terno véu, acercando-se languidamente dos edifícios, em bailados sutis, sedução... Uma luz se ascende outra se apaga, mensagens telegráficas de vidas...
Ando, ando e somente o ruflar dos meus passos, ouço no silencio seprucal... Em um canto escuro, vejo uma forma humana, coberta por jornais... Penso! Será que não sente frio? Ou já não sente se mesmo existe...
O céu escuro deixa entrever tênue estrela pudica... Virgem estrela!
Um riso nervoso de mulher exprime uma caricia mais ousada, com sussurros, em algum discreto canto de rua...
O vento fustiga-me a face... O cigarro aquece-me os lábios frios e trêmulos... Deus! Eu existo ou vago no deserto da solidão? A onde esta a vida palpitante? O choro de uma criança? O perfume de uma flor?
Não ouço o canto dos poetas... O riso da alegria... A voz de uma antiga eletrola chorando o tango nos bandônion...
Mãe! Como a chamo em vão nessa noite... Falta teu regaço... Teu calor materno.
- Daí-me uma esmola! Uma anciã estendedo-me a mão... Olho sua face mirrada... Seus cabelos brancos, tentando fugir do chalé escuro e rasgado...
Pergunto-lhe! Estas só e triste nesta noite fria?
- Sim filho! Eu sou a vida...
MARCELLO F. COELHO
JUNHO/2008
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